Uma peculiar espiritualidade — eis o assunto
desse meu terceiro ensaio na trilogia das cosquinhas,
dessa vez roçando os flancos da Antropologia Filosófica
e bolinando pelas virilhas da Semiótica da Cultura.
Minhas páginas privilegiam o que entendo como
uma específica espiritualidade corpoética,
isto é, a inclinação dos corpos para
experimentarem sensações,
inventarem sentidos e
viverem sentimentos
com aquela intensidade
capaz de ligar toda a existência
a tais sensações, sentidos e sentimentos
da maneira mais absoluta, misteriosa e aprazível.
Suponho essa espiritualidade específica apenas possível
enquanto o corpo estiver respirando e inspirando
sua imaginação mítica e sua fruição lúdica.
Assim, pnêumica mitolúdica nomeio.
Nasci em outubro de 1951, em Campinas. Primogênito de pastor presbiteriano e de professora na escola pública. Fui criado em pequenas cidades: Cambé, S. Sebastião do Paraíso e, por mais tempo, em Casa Branca. Desde criança, no lar e na igreja, acompanhei e sinceramente vivi uma fé evangélica muito conservadora. Em meados dos ’80 fatores existenciais trouxeram surpresas e exigiram mudanças. Perdi a firmeza religiosa e abandonei o lastro que me dava segurança. O baque foi doído, bastante doido... Por respeito, nunca falei com meus pais sobre a minha descrença. Desconfio, perceberam. Nada comentaram. Um singelo silêncio foi a melhor saída. Depois que meus pais faleceram i conteceno d’eu compretá di arrodiá em 2021 tudim as 70 vorta in redó du sor, contabilizei lucros & perdas discernindo sobre o pouco que me resta. Assim retomei a escrituração dessa pnêumica que registrava de modo esparso desde 1990.
Claudio CARVALHAES –
Mais do que uma leitura, esse livro é um evento! A gente lê e se percebe lendo a si mesmo, vai desentendendo e dai tomando senso, aprendendo a pnêumica que é a gente mesmo em ato. A gente caminha nas trincheiras da antropofagia, e ganha uma forma de entender o mundo no corpo em suas profusões. Sequência de outras duas cosquinhas de livros anteriores, essas “cosquinhas mitolúdicas no umbigo da poesia” nos fazem pensar pelos sentidos/sentimentos, raciocinar pela pele, e rir pela alegria e vibrar com o prazer e a excitação. Um texto que nos convida literalmente a uma intimidade com o autor, mas que nos mostra muito mais de nós do que dele. Esse livro me desabou. Pensava que estava caindo, mas na verdade, vi que estava voando. Por favor leia esse livro!
Luiz ramos (comprador verificado) –
Texto impecável, de sensibilidade e profundidade ímpares.